29.1.08

O Último Dia

Os números vermelhos ao lado da cama mostravam 22:13. Ela viu o mostrador refletido no espelho enquanto se maquiava. Agora seus lábios estavam da cor dos números, da cor do sangue que corria quente em suas veias.

Aquela era a última noite de sua vida. Não que ela fosse se matar ou que algum anjo, torto ou não, tenha lhe soprado ao ouvido algum aviso durante a noite. Simplesmente ela decidiu que iria viver aquela noite como se fosse a última. "O que você faria, se só lhe restasse esse dia", ela cantou fazendo uma cara provocante diante do espelho e logo em seguida uma careta de zombaria.

Ligou o som e colocou um CD, apertou o 'repeat' e aumentou o volume. A voz grave saiu dos auto-falantes e fez com que ela parasse por um instante. "Love, love will tear us apart, again". "É, ele nos separou", disse enquanto a música lhe batia na cara e fazia ela lembrar um rosto que até pouco tempo atrás estaria junto com ela naquele quarto.

Desligou o aparelho de som, pegou as chaves do carro que estavam sobre a mesinha do computador e saiu. "Hoje eu não tenho nome, hoje eu não sou ninguém, nem sou de ninguém", falou quase com raiva enquanto descia as escadas. Entrou no carro, ligou o rádio e deu a partida. (...)

*****
Na vitrola Cardinal Sin - Black Sabbath

4 comentários:

Anônimo disse...

Gostei do texto!!!!
Uma mulher bem determinada!!!!Como seria se todos resolvessem viver como se fosse seus últimos dias???Ou simplemente aproveitar cada momento como se fosse o último??É difícil pensar nisso mas será que não seríamos mais felizes??Bjão Edu!!!!!!!

Rodrigo disse...

Me conta onde foi essa mulher!

disse...

Hahahahaahahahaha. Adorei o comentário do Rodrigo! :P

Bom, só sei que pra igreja é que ela não deve ter ido.

Vai ter continuação???? Eu posso escrever uma continuação? Tá bom, parei, hj estou psicótica por continuações. :P

Mto bom, moço. Mto mesmo.

Anônimo disse...

Muitooo Boom!!
Caramba, eu acho que estou num momento bem parecido com o dessa sua personagem.

Muito bom o texto.

beijos